Certain Energy troca de nome e aposta £10 milhões em baterias de manganês

Em 26 de agosto de 2026, a britânica RFC Power passou a operar como Certain Energy após concluir uma Série A de £10 milhões. O capital será destinado à comercialização de uma bateria de fluxo de manganês para armazenamento de longa duração e à preparação da tecnologia para uso em redes elétricas.
A rodada foi liderada pelo British Business Bank, com participação de Centrica, Ceres Power Holdings e Catalytic Capital for Climate and Health, da Temasek Trust. Em seu comunicado de 26 de agosto de 2026, o British Business Bank detalha o aporte de £3,5 milhões e indica três destinos para a rodada: um sistema conectado à rede na Índia, a ampliação da estrutura de pesquisa no Reino Unido e a formação de uma cadeia de suprimentos para projetos replicáveis.
O novo nome sinaliza uma mudança de fase

A Certain Energy não associou a troca de nome a uma nova composição química ou a uma substituição do produto. Os materiais públicos vinculam o rebranding à captação e ao avanço de uma tecnologia originada em pesquisa para uma etapa voltada à implantação comercial.
Isso permite interpretar a nova marca como um sinal de reposicionamento empresarial, mas não como prova de maturidade industrial. A empresa agora tem recursos e investidores estratégicos para financiar a transição; ainda não apresentou uma fábrica em operação, produção seriada, carteira de encomendas ou cronograma público para a entrega do primeiro sistema comercial.
Também permanece em aberto o formato de comercialização. A Certain Energy não esclareceu se pretende vender equipamentos diretamente, trabalhar com integradores, licenciar a tecnologia ou combinar diferentes modelos conforme o mercado. Essa escolha será relevante porque baterias conectadas à rede exigem instalação, eletrônica de potência, controles, manutenção e responsabilidade contratual pelo desempenho do sistema completo.
Por que investidores diferentes entraram na rodada

O grupo reúne capital público, empresas industriais e financiamento de impacto porque a proposta atende a interesses complementares. O banco público busca apoiar uma empresa britânica intensiva em propriedade intelectual; Centrica acrescenta experiência no setor de energia; Ceres já possui uma relação societária e tecnológica com o negócio; e o C3H concentra investimentos em soluções ligadas a clima e saúde.
O ponto de convergência é o armazenamento de eletricidade por períodos mais longos. Redes com participação crescente de fontes solar e eólica precisam deslocar energia dos momentos de produção abundante para aqueles em que a geração renovável diminui. Uma solução capaz de ampliar a duração sem aumentar todos os componentes na mesma proporção pode ter valor para esse equilíbrio — desde que o custo total, a eficiência e a disponibilidade sejam comprovados em operação.
O manganês também integra a tese de investimento. A empresa o apresenta como uma matéria-prima abundante e potencialmente mais econômica do que o vanádio empregado em outras baterias de fluxo. Essa vantagem ainda é uma hipótese comercial baseada no desenho e nos materiais escolhidos, não um resultado demonstrado por uma frota independente de sistemas em serviço.
A economia da bateria depende da separação entre potência e energia
Em uma bateria de fluxo, eletrólitos líquidos ficam armazenados em tanques e circulam por um conjunto eletroquímico. A potência depende principalmente do equipamento que realiza a conversão, enquanto a capacidade energética pode crescer com mais eletrólito e tanques maiores. Essa separação permite ajustar a duração de descarga sem simplesmente replicar módulos completos de bateria.
A cobertura técnica da Tech.eu registra as especificações divulgadas pela Certain Energy: eficiência de ciclo superior a 75%, eletrólito projetado para 20 anos de operação e custo marginal potencial próximo de um décimo do atribuído a sistemas comparáveis de fluxo de vanádio. São metas e estimativas da companhia, não medições públicas de uma operação comercial prolongada.
A vantagem econômica, portanto, não decorre automaticamente da arquitetura. O resultado dependerá da duração solicitada, da frequência de uso, das perdas de energia, do custo de instalação e financiamento e das receitas obtidas com os serviços prestados à rede. Bombas, controles, eletrônica de potência, integração e manutenção também entram no custo por megawatt-hora efetivamente entregue.
Três marcos separam o financiamento da escala comercial

O primeiro marco é o sistema de classe MWh conectado à rede na Índia. A expressão descreve a ordem de grandeza da capacidade energética planejada, mas não equivale a um teste concluído. O projeto ainda terá de fornecer dados sobre potência, duração, eficiência, disponibilidade, resposta a ciclos reais e integração com a rede local.
O segundo marco é uma cadeia de suprimentos capaz de repetir o projeto. Protótipos podem depender de componentes em pequenos lotes e de trabalho intensivo de engenharia; uma oferta comercial exige especificações estáveis, fornecedores qualificados, controle de qualidade e procedimentos de instalação e manutenção aplicáveis a diferentes locais.
O terceiro é a produção em volume. Ampliar uma instalação de pesquisa aumenta a capacidade de desenvolvimento, mas não substitui fabricação com rendimento previsível, custos controlados e prazos repetíveis. A escala industrial também precisará mostrar se as economias esperadas nos tanques e no eletrólito permanecem depois que todos os componentes do sistema são contabilizados.
O estado confirmado da história é uma rodada concluída, uma nova identidade empresarial e um roteiro financiado de comercialização — não uma bateria já produzida em massa. Os próximos dados decisivos deverão vir do sistema indiano, da qualificação da cadeia de suprimentos e da capacidade de fabricar e operar unidades repetíveis a um custo competitivo.
Assine nossa newsletter
Receba as últimas notícias sobre Web3, IA e cripto diretamente no seu e-mail.