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Mantel recebe US$ 18 milhões para levar captura de carbono às fábricas

|Autor: Equipe editorial da QUASA|6 min de leitura| 10
Mantel recebe US$ 18 milhões para levar captura de carbono às fábricas

A Mantel Capture, startup de Cambridge, nos Estados Unidos, anunciou em 24 de agosto de 2026 um investimento estratégico de US$ 18 milhões da Constellation Technology Ventures, da Azimut Investments e de investidores atuais. A rodada elevou para US$ 50 milhões o total captado e será usada no desenvolvimento de sistemas de captura de carbono para geração de energia, petróleo e gás, papel e celulose e outras indústrias.

O aporte é uma extensão da Série A, segundo a confirmação dada pelo CEO Cameron Halliday à Axios Pro. Trata-se de financiamento privado da empresa para avançar um portfólio que inclui uma demonstração em uma fábrica no Quebec, um projeto maior no setor petrolífero canadense e uma instalação planejada para uma usina na Virgínia Ocidental — não de prova de que os três sistemas já operem comercialmente.

O investimento financia a passagem para instalações maiores

A presença de investidores ligados a energia e financiamento de projetos indica onde está o desafio imediato da Mantel: converter uma tecnologia desenvolvida em laboratório e testada em uma unidade demonstrativa em equipamentos integrados a instalações industriais. Essa etapa exige engenharia específica para cada local, fabricação, conexão com sistemas de vapor e operação prolongada.

Por isso, “implantação comercial” descreve a direção do investimento, e não um estágio uniforme de maturidade. O projeto no Quebec já oferece uma instalação física para observar a integração com uma fábrica; os empreendimentos de maior porte ainda precisam atravessar etapas como projeto, construção, comissionamento e comprovação de desempenho contínuo.

O interesse da Constellation Technology Ventures também aproxima a startup de uma operadora de infraestrutura energética, enquanto a Azimut acrescenta experiência em mercados de capitais e financiamento de projetos. Para a Mantel, esses recursos são relevantes porque sistemas industriais de captura dependem não apenas da química do sorvente, mas também de equipamentos, obras e contratos de longo prazo.

A tecnologia captura CO₂ sem resfriar primeiro os gases

Processo da Mantel usa borato fundido para separar CO₂ de gases quentes e recuperar energia como vapor.

O sistema usa uma mistura proprietária de boratos que se torna líquida nas temperaturas encontradas em caldeiras, fornos e turbinas. Gases quentes atravessam gotas do sal fundido, que retém o CO₂ em uma reação exotérmica; depois, o material passa por regeneração, libera o dióxido de carbono e retorna ao circuito.

A diferença proposta pela Mantel é aproveitar parte da energia liberada durante a captura para produzir vapor de alta pressão, que pode voltar ao processo industrial ou gerar eletricidade. Isso procura reduzir uma das penalidades dos métodos convencionais, nos quais o gás de exaustão precisa ser resfriado para a absorção e novamente aquecido para liberar o CO₂.

O relato técnico publicado pela MIT Energy Initiative em 25 de agosto de 2026 registra ausência de degradação mensurável do sorvente em mais de mil ciclos de laboratório, dois anos de funcionamento de uma unidade do tamanho de um contêiner e CO₂ separado com pureza de 99,9%. Esses resultados vêm do desenvolvimento conduzido pela empresa e ainda precisam ser reproduzidos, com dados contínuos e verificáveis, nos sistemas industriais maiores.

Canadá reúne a demonstração existente e o próximo salto de escala

Módulo da Mantel integrado a um gerador de vapor de uma operação SAGD no Canadá.

A página oficial dos projetos D-1 e M-10 situa o D-1 na fábrica de papel e celulose Wayagamack, da Kruger, em Trois-Rivières, no Quebec, com capacidade nominal superior a 2 mil toneladas de CO₂ por ano e geração de 1 MW de vapor para o sistema da unidade. O M-10, planejado para uma operação canadense de drenagem gravitacional assistida por vapor, tem metas anuais de aproximadamente 60 mil toneladas de CO₂ capturadas e 150 mil toneladas de vapor de alta pressão.

Os dois projetos não representam a mesma etapa. O D-1 permite avaliar integração, estabilidade e circulação do sorvente em ambiente fabril, mas tem porte bem menor. O M-10 é classificado pela Mantel como demonstração em escala comercial e deverá conectar a captura a um gerador de vapor usado na extração de petróleo; suas capacidades permanecem metas de projeto até que a instalação entre em operação.

Essa distinção é central para avaliar a maturidade do negócio. Uma demonstração confirma que os componentes podem funcionar juntos em condições industriais; a escala comercial exige ainda disponibilidade elevada, desempenho previsível e custos compatíveis com contratos recorrentes.

A instalação na Virgínia Ocidental ainda está em engenharia

Integração planejada do sistema da Mantel às caldeiras do West Virginia Energy Campus ainda em fase de engenharia.

O registro do Departamento de Energia dos Estados Unidos descreve o West Virginia Energy Campus como uma usina a carvão de 1,6 GW proposta pela TerraSpark perto da estação de Mount Storm. O projeto prevê caldeiras supercríticas conectadas ao sistema de sais fundidos da Mantel, com taxa-alvo de captura entre 90% e 95%, e recebeu US$ 18,5 milhões do governo para as fases de estudo FEED e projeto inicial, além de US$ 21,4625 milhões em contrapartida não federal.

Esse financiamento público pertence ao projeto da TerraSpark e deve ser separado da rodada privada da Mantel. Os recursos governamentais cobrem engenharia preliminar, balanço hídrico, preparação de licenças e trabalhos relacionados ao armazenamento geológico; não significam que a usina ou o equipamento de captura estejam construídos.

A instalação da Virgínia Ocidental pode se tornar o maior teste da tecnologia entre os projetos divulgados, mas permanece uma proposta. A taxa de captura é um objetivo de engenharia, não um resultado medido, e sua validação dependerá da conclusão das etapas preparatórias, da construção e da operação do conjunto.

Dados de campo definirão se a tecnologia chegou ao mercado

A rodada amplia a capacidade financeira da Mantel, mas não elimina o risco técnico e econômico da expansão. A passagem efetiva para fábricas dependerá da taxa real de captura, do consumo líquido de energia, da disponibilidade do equipamento, da estabilidade do sorvente, da pureza do CO₂ e do volume de vapor que puder ser aproveitado pela instalação anfitriã.

A análise de custo também precisa incluir o sistema completo. Obras, integração térmica, manutenção, compressão, transporte e destinação do CO₂ podem alterar a economia do projeto mesmo que o módulo de captura funcione como previsto.

Até agora, a linha do tempo vai do teste de laboratório para a unidade demonstrativa no Quebec e, em seguida, para projetos maiores ainda em desenvolvimento no Canadá e na Virgínia Ocidental. O próximo marco relevante não será apenas a construção desses sistemas, mas a publicação de dados comparáveis e, idealmente, verificados de forma independente sobre desempenho, confiabilidade e custo durante operação prolongada.

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