
Um único combustível, dois motores: o CubeSat ASCENT vai provar a ideia em órbita

Em 25 de setembro de 2026, a atualização da NASA informou que o CubeSat 6U da missão ASCENT Propulsion Dual Mode havia concluído testes de vazamento, vácuo térmico e rotação no Centro de Voos Espaciais Marshall, em Huntsville, Alabama. O satélite entrou na preparação final para o lançamento. Seu experimento principal ainda está por vir: verificar em órbita se um único tanque consegue alimentar propulsão química para manobras rápidas e propulsão elétrica para ajustes mais eficientes.
A cobertura da TechStock² também registra que os ensaios em solo terminaram, enquanto o lançamento em um Falcon 9 está previsto para não antes de 1º de outubro e a missão orbital deve durar nove meses. Antes do envio ao local de lançamento, ainda estão previstos os últimos exames do sistema e a integração dos painéis solares. Portanto, a conclusão dos testes ambientais é um avanço na preparação do veículo, não uma demonstração de que os dois modos de propulsão já funcionaram juntos no espaço.
Um tanque, dois caminhos para o propelente
A arquitetura técnica da missão especifica o propelente AF-M315E, também chamado ASCENT, um propulsor químico de 100 milinewtons e quatro propulsores elétricos por eletrospray ligados ao mesmo reservatório. Assim, os “dois motores” do título são dois tipos de propulsão, não duas unidades idênticas. O líquido armazenado é o mesmo; a forma de produzir empuxo muda conforme o ramo acionado.
O trajeto do propelente ajuda a visualizar a diferença:
- Tanque comum: guarda o ASCENT que abastece os dois ramos do sistema.
- Ramo químico: o propelente passa por um leito catalítico, libera gases quentes e gera empuxo relativamente alto por um intervalo curto.
- Ramo elétrico: o líquido é eletricamente carregado; partículas são aceleradas para produzir um empuxo menor, porém com uso mais eficiente do propelente.
Essa combinação oferece à equipe duas escalas de manobra. O modo químico serve quando é necessário alterar a trajetória mais rapidamente. O eletrospray pode acumular uma mudança ao longo de um acionamento mais prolongado, consumindo menos propelente para o impulso obtido. A vantagem de compartilhar o líquido não apaga as diferenças entre os mecanismos: o ramo elétrico precisa de energia para acelerar as partículas, enquanto o químico depende da reação no leito catalítico.
O que foi comprovado nos testes em solo
O resultado mais diretamente ligado ao tanque compartilhado veio do ensaio de vazamento. Com hélio pressurizado e o satélite dentro de uma câmara de vácuo, a equipe verificou que as vedações estavam funcionando como previsto. É um requisito importante para um circuito em que uma falha na alimentação comum poderia comprometer os dois ramos, mas o ensaio não mede o empuxo que eles produzirão em voo.
No teste de vácuo térmico, o hardware foi exposto a condições que simulam a ausência de ar e as variações de temperatura do ambiente espacial. O teste de rotação mediu propriedades de massa e a posição do centro de gravidade, necessárias ao controle da orientação do CubeSat. Manter essa orientação permite apontar antenas para comunicação e painéis solares para captação de luz. São verificações do veículo e de sua capacidade de seguir à próxima etapa; nenhuma substitui manobras químicas ou elétricas executadas em órbita.
O sistema reúne peças de equipes diferentes: o módulo químico foi construído pela Plasma Processes, os propulsores por eletrospray foram desenvolvidos pelo MIT e a plataforma do satélite foi integrada pelo Georgia Institute of Technology, sob gestão do centro Marshall. Fazer cada componente funcionar isoladamente não demonstra que alimentação, energia e controle operarão juntos durante manobras sucessivas. É essa integração que transforma a missão em um teste do sistema completo.
Como será a demonstração orbital
Após a separação do foguete, a equipe deverá estabelecer comunicação e verificar os sistemas básicos do satélite. A sequência planejada prevê então manobras curtas com propulsão química e elétrica. Cada acionamento terá de mostrar que o respectivo ramo recebe propelente e responde a comandos no veículo em voo, sob as condições reais de operação.
Se essa etapa funcionar, o plano é alternar os modos durante manobras repetidas de elevação e redução da órbita. O teste vai além de ligar cada propulsor uma vez: a equipe precisará manter a orientação do CubeSat, comandar os dois regimes em momentos distintos e observar mudanças de trajetória compatíveis com as manobras. A missão foi planejada para verificar essa capacidade ao longo do tempo, mas os dados orbitais ainda não existem.
Por que a economia de massa ainda é uma hipótese de missão
Um sistema que usa dois propelentes normalmente precisa acomodar armazenamento e partes da alimentação para cada um. Ao compartilhar tanque e fluido, o ASCENT pode evitar componentes duplicados e liberar massa e volume. Em um satélite pequeno, essa folga poderia ser destinada a instrumentos científicos, sensores ou outros equipamentos de missão. É a consequência de engenharia que torna o teste relevante para veículos futuros.
O tamanho dessa economia no CubeSat de voo, porém, não foi quantificado nas publicações consultadas. O ramo elétrico ainda exige seus próprios componentes, e a alimentação comum também ocupa espaço. Não basta comparar a presença de um tanque com a de dois: a vantagem líquida depende da massa e do volume do sistema integrado inteiro. O atual CubeSat testa a possibilidade de operar os dois regimes com uma reserva comum; ele não leva uma carga científica extra que comprove quanto espaço foi liberado.
Por enquanto, o fato confirmado é a conclusão dos ensaios em solo e a continuidade da preparação para o lançamento. A primeira evidência de funcionamento dual virá dos acionamentos de cada ramo em órbita. As manobras repetidas mostrarão depois se o tanque compartilhado sustenta o uso controlado dos dois tipos de propulsão durante a missão.
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