Futuro do trabalho

Uber corta 10% da equipe e reduz camadas de gestão

|Autor: Equipe editorial da QUASA|5 min de leitura
Uber corta 10% da equipe e reduz camadas de gestão

Em 2 de setembro de 2026, a Uber anunciou o corte de cerca de 10% de sua equipe global, equivalente a aproximadamente 3.300 postos, segundo a reportagem da Reuters. A rodada é a maior promovida pela companhia desde a redução realizada no início da pandemia.

No comunicado enviado aos funcionários, o CEO Dara Khosrowshahi informou que os cargos afetados já haviam sido notificados, exceto nos países sujeitos a procedimentos locais, e detalhou mudanças que reduzem em 20% o contingente situado a sete ou mais níveis do CEO, diminuem em quase 50% as microequipes e limitam as funções totalmente remotas a cerca de 1% do quadro, mantendo três dias presenciais por semana.

O número divulgado é uma estimativa global

A estimativa de postos eliminados deriva do percentual aplicado ao quadro mundial da empresa. A Uber não apresentou uma divisão dos desligamentos por país, unidade de negócio ou categoria profissional, o que impede determinar quanto da redução recairá sobre mobilidade, entregas, tecnologia ou áreas corporativas.

A execução também não será necessariamente simultânea em todos os mercados. Onde a legislação exige consultas ou outros procedimentos trabalhistas, a companhia seguirá os ritos locais antes de concluir as mudanças.

Motoristas e entregadores cadastrados no aplicativo não fazem parte desse quadro corporativo. A redução anunciada diz respeito aos empregados da empresa, não aos profissionais independentes que realizam viagens e entregas pela plataforma.

A reforma mira coordenação, microequipes e cadeias de reporte

Gestor da Uber passa a coordenar uma equipe ampliada após a redução de microequipes e camadas hierárquicas.

O plano procura diminuir a distância entre quem toma decisões e quem executa o trabalho. A direção afirma que o crescimento da Uber criou mais camadas, responsabilidades fragmentadas e dependência de alinhamentos entre equipes, prolongando debates e tornando menos claro quem responde por cada decisão.

Uma das medidas é ampliar o número de subordinados por gestor e desmontar estruturas em que uma pessoa administrava apenas um pequeno grupo. Parte dos postos dedicados principalmente à coordenação foi eliminada; outros cargos gerenciais poderão ser redesenhados como funções de colaborador individual.

Essas mudanças não significam que todos os gestores serão dispensados nem que a redução anunciada se concentre exclusivamente na gerência intermediária. A empresa não divulgou quantos cargos de liderança desaparecerão, quantos serão convertidos e quantos desligamentos atingirão profissionais sem responsabilidade de gestão.

A métrica sobre empregados distantes do CEO na cadeia de reporte também precisa ser lida com cuidado. Ela mede a profundidade da hierarquia, e não corresponde diretamente ao percentual total de chefias cortadas.

Delivery e tecnologia terão equipes consolidadas

Funcionários da Uber retornam ao escritório enquanto o trabalho totalmente remoto passa a ser uma exceção.

A reorganização alcança estruturas específicas. As operações de entrega voltadas a restaurantes, varejo e entregas diretas passarão a funcionar sob equipes integradas nos níveis global, regional e nacional.

Os resultados financeiros desses negócios também ficarão sob responsáveis únicos. A expectativa declarada é reduzir sobreposições, esclarecer a prestação de contas e permitir que os gestores distribuam recursos entre as diferentes frentes de entrega com menos disputas internas.

Na área tecnológica, a Uber reunirá Core Services Engineering e Science, aproximando essa estrutura do modelo já adotado em Mobility e Delivery. A empresa apresenta a consolidação como resposta à duplicação de trabalho e à lentidão decisória, mas não publicou uma lista dos projetos, escritórios ou especialidades técnicas afetados.

Trabalho remoto vira uma exceção

Reestruturação de equipes da Uber ocorre separadamente dos investimentos futuros em mobilidade autônoma.

A reestruturação também altera onde as equipes deverão trabalhar. Grupos globais serão concentrados principalmente nos grandes centros corporativos de Nova York e São Francisco, enquanto equipes regionais, nacionais e tecnológicas serão direcionadas aos polos designados para suas atividades.

A maioria dos empregados que trabalha integralmente a distância deverá migrar para um escritório. A política híbrida permanece, mas a companhia pretende aproximar gestores e subordinados sempre que possível, com atenção especial aos profissionais em início de carreira.

A Uber ainda não esclareceu quais funções poderão conservar o regime totalmente remoto, quanto tempo os empregados terão para se mudar ou retornar e como serão tratados os casos de pessoas que vivem longe dos centros escolhidos. Essas definições podem ter consequências adicionais para quem mantém o emprego, sobretudo quando a permanência depender de mudança geográfica.

O corte não foi apresentado como substituição por IA

A explicação pública da Uber é organizacional: excesso de camadas, coordenação, fragmentação e sobreposição. A cobertura da Axios observa que a empresa não apontou a inteligência artificial como catalisadora das demissões.

Isso não significa que IA e veículos autônomos estejam fora da estratégia da companhia. A direção pretende reinvestir parte das economias em crescimento, inovação e capacidades consideradas importantes para os próximos anos, incluindo o desenvolvimento do mercado de mobilidade autônoma.

Investimento em robotáxis, porém, não comprova substituição direta dos empregados dispensados. Para estabelecer essa relação seria necessário conhecer as funções eliminadas, as tarefas automatizadas e a distribuição dos cortes — informações que a Uber não tornou públicas.

Até agora, portanto, estão confirmados o corte global, o enxugamento das cadeias de reporte, a consolidação de áreas e a restrição do trabalho totalmente remoto. Permanecem sem detalhamento a distribuição geográfica e profissional das demissões, o cronograma completo da reorganização e o alcance das mudanças para cada equipe.

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