Nova York veta IA até o 8º ano — ensino médio terá uso supervisionado

A rede pública municipal de Nova York anunciou em 2 de setembro de 2026 uma moratória de um ano sobre ferramentas de inteligência artificial generativa voltadas diretamente a estudantes do 2-K ao 8º ano. A medida valerá no ano letivo de 2026–2027; no ensino médio, o uso será limitado a programas aprovados e atividades supervisionadas, como confirma a cobertura da Associated Press.
A política anunciada em 2 de setembro não proíbe toda forma de IA nas escolas, nem se aplica a todo o estado de Nova York. Ela restringe a IA generativa usada por alunos da rede municipal, preserva exceções assistivas e permite que estudantes do 9º ao 12º ano participem de formação obrigatória, programas profissionais e pilotos controlados por educadores.
As regras mudam conforme a etapa escolar

Do 2-K ao 8º ano, os alunos não poderão usar como parte do aprendizado softwares que geram conteúdo em resposta a seus comandos. Para o ensino médio, a orientação oficial do NYC Public Schools restringe o acesso a ferramentas avaliadas e aprovadas, além de autorizar usos supervisionados em programas de preparação profissional.
Os cinco pilotos do ensino médio são Quill, Edia, Brisk Teaching, Playlab e Intel AI-Ready Schools. Cada programa tem finalidade e duração próprias: há atividades semanais de 15 ou 20 minutos, sessões de 10 a 20 minutos, um limite por trabalhos no período letivo e, no caso do programa da Intel, um período semanal. Portanto, não existe uma autorização geral para usar ChatGPT, Claude ou geradores equivalentes em tarefas comuns.
As regras centrais ficam assim:
- 2-K ao 8º ano: moratória sobre IA generativa voltada diretamente ao estudante durante o ano letivo de 2026–2027.
- 9º ao 12º ano: acesso restrito aos cinco pilotos avaliados e a programas profissionais com supervisão docente.
- Todas as séries: chatbots de companhia permanecem proibidos.
- Professores: ferramentas aprovadas podem auxiliar planejamento e tarefas operacionais, mas não decisões sobre estudantes.
Exceções preservam acessibilidade e acesso linguístico

A moratória não retira tecnologias assistivas previstas no Programa Educacional Individualizado, o IEP, ou no plano 504 de um estudante. Também permanecem disponíveis recursos necessários a alunos com deficiência e a estudantes que aprendem inglês, inclusive ferramentas de comunicação e acesso linguístico exigidas pelas normas aplicáveis.
Essas exceções não transformam a política em uma permissão ampla. A ferramenta precisa atender a uma necessidade individual de acessibilidade ou linguagem; no ensino médio, o uso relacionado à preparação para o trabalho deve ocorrer em programas como Career and Technical Education e sob acompanhamento de um professor.
Todo aluno do ensino médio terá formação sobre IA
Participar de um piloto não será requisito para receber alfabetização em IA. Todos os estudantes do ensino médio deverão concluir, a cada ano, dois módulos de 45 minutos sobre o que a tecnologia é e não é, vieses, riscos, ética, efeitos sobre carreiras e preservação do pensamento crítico. Alunos dos pilotos e de programas profissionais terão formação mais extensa.
Os pilotos poderão alcançar no máximo 50 mil estudantes de turmas regulares, limitados a até cinco classes por escola. Esse contingente corresponde a cerca de 5% de toda a rede pública municipal, segundo a prefeitura; a estimativa de aproximadamente 17% citada em outras coberturas usa apenas o universo de alunos do ensino médio como denominador. As porcentagens, portanto, descrevem bases diferentes.
Tempo de tela segue limites próprios

A restrição de IA vem acompanhada de uma política paralela para dispositivos individuais. Do 2-K ao 2º ano, não haverá uso individual de telas; do 3º ao 5º, a recomendação é de no máximo 30 minutos diários; e, do 6º ao 8º, de até 45 minutos por dia. O ensino médio não recebeu um teto geral equivalente.
Esses limites não eliminam qualquer tela da sala de aula. Há exceções para tecnologia assistiva, avaliações, ensino remoto e atividades centralmente aprovadas, como livros digitais, robótica, programação e simulações. Assim, um recurso sem IA ainda pode estar sujeito ao limite de tempo, enquanto uma tecnologia necessária à acessibilidade pode continuar disponível.
Professores mantêm a decisão, e a fiscalização ainda é incerta
Educadores poderão usar ferramentas aprovadas para planejar aulas, traduzir materiais, preparar comunicações e executar tarefas operacionais. A IA, porém, não poderá atribuir notas, monitorar comportamento ou participar de decisões sobre colocação escolar, promoção, conclusão do curso e outros resultados que afetem diretamente o aluno.
A aplicação prática ainda tem lacunas. A apuração do Chalkbeat verificou que a prefeitura pretende desativar componentes de IA em 38 programas já usados pela rede, mas não divulgou a lista completa nem apresentou um mecanismo uniforme de fiscalização. Quando um componente não puder ser desligado, o produto deverá deixar de ser usado.
A extensão da formação também provocou contestação. Em manifestação conjunta publicada pelo Senado estadual, a senadora Kristen Gonzalez e a vereadora Carmen De La Rosa consideraram insuficientes os dois módulos de 45 minutos e pediram critérios transparentes de segurança, viés e resultados antes dos pilotos.
Durante o ano letivo, uma coalizão formada por estudantes, educadores, famílias, representantes sindicais, autoridades, especialistas e organizações acompanhará a moratória e os programas controlados. Suas recomendações deverão orientar a política de 2027–2028; continuam pendentes a relação integral dos produtos afetados, os dados de desempenho dos pilotos e instruções mais precisas para a fiscalização nas escolas.
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