
Nubank PJ ou Inter PJ: boleto grátis esconde limites bem diferentes

Para um MEI ou pequeno negócio que recebe muitos boletos pagos, o Nu Empresas tende a custar menos: suas soluções de cobrança oferecem boletos de cobrança gratuitos e ilimitados, sem tarifa por boleto pago. A vantagem aparece quando as liquidações de clientes ultrapassam a franquia disponível no Inter Empresas.
No Inter Empresas, boletos de cobrança e de depósito dividem a mesma cota mensal. As regras de tarifação do Inter estabelecem 30 boletos liquidados para MEI e PJ Digital, 60 para PJ Pro e 100 para PJ Enterprise, Middle, Corporate, Win e condomínios. Acima da cota, cada boleto liquidado custa R$ 2,49 se pago por código de barras ou linha digitável e R$ 0,99 se pago via Pix.
Cobrança, depósito e link de pagamento não são a mesma operação
O boleto de cobrança pede a um cliente o pagamento de uma venda ou serviço. O boleto de depósito coloca recursos na própria conta. No Inter, uma liquidação de depósito ocupa uma vaga da mesma franquia usada para receber cobranças; por isso, contar apenas os boletos enviados aos clientes pode superestimar a cota ainda disponível.
Considere, como exemplo hipotético, um MEI que tenha 25 cobranças e 10 depósitos liquidados no mês. São 35 liquidações para uma franquia de 30: cinco boletos excedem o limite, mesmo que as cobranças de clientes, isoladamente, pareçam caber nele. O que importa para esse cálculo é o boleto liquidado, não o título apenas emitido ou enviado e ainda sem pagamento.
O link de pagamento também deve ficar fora dessa contagem. Ele pode oferecer crédito, Pix ou outras opções conforme a solução usada, e receber no crédito tem uma estrutura de taxas própria. Já pagar via Pix um boleto excedente do Inter continua sendo uma liquidação de boleto: muda a tarifa aplicável, mas não cria uma franquia separada para esse título.
O perfil determina quando começa a tarifa
Para MEI e PJ Digital, a cobrança pelo excedente começa depois da trigésima liquidação mensal. No PJ Pro, começa depois da sexagésima; nos perfis com cota de 100, apenas o que ultrapassar esse total entra no cálculo. Assim, o mesmo volume de recebimentos pode gerar custos distintos dentro do próprio Inter Empresas.
A diferença entre emissão e liquidação é especialmente relevante quando há cobranças em aberto no fechamento do mês. Um negócio pode gerar muitos boletos sem receber todos naquele período. Para estimar a tarifa do Inter, interessa quantos foram efetivamente pagos no mês e, entre os excedentes, quantos foram quitados por código de barras ou linha digitável e quantos via Pix.
Também é preciso considerar o perfil atribuído à conta. Uma empresa com 60 liquidações mensais cabe integralmente na cota do PJ Pro, mas ultrapassa a de MEI ou PJ Digital. Projetar a cota de um segmento superior para uma conta que ainda não o possui produziria uma comparação artificialmente favorável.
Quanto custam 10, 30, 60 ou 100 boletos liquidados

Os cenários abaixo são condicionais: todos os boletos foram liquidados no mesmo mês, nenhum depósito consumiu a franquia e todos os excedentes foram pagos pela mesma modalidade indicada. Os valores incluem apenas a tarifa dos boletos; saques, crédito e outros serviços ficam fora da conta.
- Com 10 boletos liquidados, o custo é R$ 0 no Nu Empresas e nos perfis do Inter considerados.
- Com 30 boletos, o custo continua em R$ 0 nas duas contas. MEI e PJ Digital, porém, chegam ao fim da franquia do Inter.
- Com 60 boletos, o Nu Empresas permanece em R$ 0. No Inter, MEI e PJ Digital teriam 30 excedentes: R$ 74,70 se todos fossem pagos por código de barras ou linha digitável, ou R$ 29,70 se todos fossem pagos via Pix. PJ Pro e os perfis com cota maior permanecem em R$ 0.
- Com 100 boletos, o Nu Empresas permanece em R$ 0. No Inter, os 70 excedentes de MEI e PJ Digital custariam R$ 174,30 por código de barras ou linha digitável, ou R$ 69,30 via Pix. No PJ Pro, os 40 excedentes custariam R$ 99,60 ou R$ 39,60, respectivamente. Os perfis com franquia de 100 ainda não a ultrapassariam.
Na rotina real, os pagadores podem misturar modalidades. Nesse caso, o custo é a soma das tarifas de cada boleto excedente conforme a forma de pagamento. Depósitos liquidados antecipam o esgotamento da cota: se eles ocuparem parte das vagas, a tarifa sobre cobranças de clientes pode começar antes do volume mostrado nos cenários.
Saques e acesso da equipe podem mudar a decisão

Uma empresa que saca dinheiro com frequência precisa somar esse custo ao dos recebimentos. A conta Nu Empresas prevê R$ 6,50 por saque com cartão de débito nas redes indicadas pelo banco e permite atribuir perfis de acesso a sócios e funcionários. Uma operação com poucos boletos pode, portanto, ter uma despesa mensal relevante mesmo sem pagar pela cobrança.
Para MEI e PJ Digital, a orientação de tarifas do Inter fixa R$ 6,40 por saque em caixa eletrônico; o PJ Enterprise tem saques gratuitos e ilimitados. Essa diferença entre perfis impede aplicar o benefício do Enterprise à simulação de uma conta MEI ou PJ Digital.
Quando funcionários participam da cobrança e da movimentação, permissões também contam. No Inter, o cadastro de usuários da conta PJ permite selecionar ou criar um perfil, definir a vigência do acesso e submeter a solicitação à aprovação do usuário Master. A movimentação depende ainda da aprovação do dispositivo, o que torna a distribuição de tarefas uma questão operacional além da tarifa.
Se os recebimentos por boleto ultrapassam regularmente a franquia do perfil disponível no Inter, a cobrança gratuita do Nu Empresas oferece um custo mais previsível para essa parte do caixa. Dentro da franquia, o boleto não desempata a escolha: o peso passa para os saques, as permissões necessárias à equipe e a forma como os clientes efetivamente pagam.
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