Nubank PJ ou Inter PJ: boleto grátis esconde limites bem diferentes

|Autor: Equipe editorial da QUASA|5 min de leitura| 1
Nubank PJ ou Inter PJ: boleto grátis esconde limites bem diferentes

Para um MEI ou pequeno negócio que recebe muitos boletos pagos, o Nu Empresas tende a custar menos: suas soluções de cobrança oferecem boletos de cobrança gratuitos e ilimitados, sem tarifa por boleto pago. A vantagem aparece quando as liquidações de clientes ultrapassam a franquia disponível no Inter Empresas.

No Inter Empresas, boletos de cobrança e de depósito dividem a mesma cota mensal. As regras de tarifação do Inter estabelecem 30 boletos liquidados para MEI e PJ Digital, 60 para PJ Pro e 100 para PJ Enterprise, Middle, Corporate, Win e condomínios. Acima da cota, cada boleto liquidado custa R$ 2,49 se pago por código de barras ou linha digitável e R$ 0,99 se pago via Pix.

Cobrança, depósito e link de pagamento não são a mesma operação

O boleto de cobrança pede a um cliente o pagamento de uma venda ou serviço. O boleto de depósito coloca recursos na própria conta. No Inter, uma liquidação de depósito ocupa uma vaga da mesma franquia usada para receber cobranças; por isso, contar apenas os boletos enviados aos clientes pode superestimar a cota ainda disponível.

Considere, como exemplo hipotético, um MEI que tenha 25 cobranças e 10 depósitos liquidados no mês. São 35 liquidações para uma franquia de 30: cinco boletos excedem o limite, mesmo que as cobranças de clientes, isoladamente, pareçam caber nele. O que importa para esse cálculo é o boleto liquidado, não o título apenas emitido ou enviado e ainda sem pagamento.

O link de pagamento também deve ficar fora dessa contagem. Ele pode oferecer crédito, Pix ou outras opções conforme a solução usada, e receber no crédito tem uma estrutura de taxas própria. Já pagar via Pix um boleto excedente do Inter continua sendo uma liquidação de boleto: muda a tarifa aplicável, mas não cria uma franquia separada para esse título.

O perfil determina quando começa a tarifa

Para MEI e PJ Digital, a cobrança pelo excedente começa depois da trigésima liquidação mensal. No PJ Pro, começa depois da sexagésima; nos perfis com cota de 100, apenas o que ultrapassar esse total entra no cálculo. Assim, o mesmo volume de recebimentos pode gerar custos distintos dentro do próprio Inter Empresas.

A diferença entre emissão e liquidação é especialmente relevante quando há cobranças em aberto no fechamento do mês. Um negócio pode gerar muitos boletos sem receber todos naquele período. Para estimar a tarifa do Inter, interessa quantos foram efetivamente pagos no mês e, entre os excedentes, quantos foram quitados por código de barras ou linha digitável e quantos via Pix.

Também é preciso considerar o perfil atribuído à conta. Uma empresa com 60 liquidações mensais cabe integralmente na cota do PJ Pro, mas ultrapassa a de MEI ou PJ Digital. Projetar a cota de um segmento superior para uma conta que ainda não o possui produziria uma comparação artificialmente favorável.

Quanto custam 10, 30, 60 ou 100 boletos liquidados

Pagamento de boleto via Pix em pequeno comércio, modalidade com tarifa excedente diferente da liquidação por código de barras no Inter Empresas.

Os cenários abaixo são condicionais: todos os boletos foram liquidados no mesmo mês, nenhum depósito consumiu a franquia e todos os excedentes foram pagos pela mesma modalidade indicada. Os valores incluem apenas a tarifa dos boletos; saques, crédito e outros serviços ficam fora da conta.

  • Com 10 boletos liquidados, o custo é R$ 0 no Nu Empresas e nos perfis do Inter considerados.
  • Com 30 boletos, o custo continua em R$ 0 nas duas contas. MEI e PJ Digital, porém, chegam ao fim da franquia do Inter.
  • Com 60 boletos, o Nu Empresas permanece em R$ 0. No Inter, MEI e PJ Digital teriam 30 excedentes: R$ 74,70 se todos fossem pagos por código de barras ou linha digitável, ou R$ 29,70 se todos fossem pagos via Pix. PJ Pro e os perfis com cota maior permanecem em R$ 0.
  • Com 100 boletos, o Nu Empresas permanece em R$ 0. No Inter, os 70 excedentes de MEI e PJ Digital custariam R$ 174,30 por código de barras ou linha digitável, ou R$ 69,30 via Pix. No PJ Pro, os 40 excedentes custariam R$ 99,60 ou R$ 39,60, respectivamente. Os perfis com franquia de 100 ainda não a ultrapassariam.

Na rotina real, os pagadores podem misturar modalidades. Nesse caso, o custo é a soma das tarifas de cada boleto excedente conforme a forma de pagamento. Depósitos liquidados antecipam o esgotamento da cota: se eles ocuparem parte das vagas, a tarifa sobre cobranças de clientes pode começar antes do volume mostrado nos cenários.

Saques e acesso da equipe podem mudar a decisão

Saque de conta empresarial, custo separado das tarifas de boletos na comparação entre Nu Empresas e Inter Empresas.

Uma empresa que saca dinheiro com frequência precisa somar esse custo ao dos recebimentos. A conta Nu Empresas prevê R$ 6,50 por saque com cartão de débito nas redes indicadas pelo banco e permite atribuir perfis de acesso a sócios e funcionários. Uma operação com poucos boletos pode, portanto, ter uma despesa mensal relevante mesmo sem pagar pela cobrança.

Para MEI e PJ Digital, a orientação de tarifas do Inter fixa R$ 6,40 por saque em caixa eletrônico; o PJ Enterprise tem saques gratuitos e ilimitados. Essa diferença entre perfis impede aplicar o benefício do Enterprise à simulação de uma conta MEI ou PJ Digital.

Quando funcionários participam da cobrança e da movimentação, permissões também contam. No Inter, o cadastro de usuários da conta PJ permite selecionar ou criar um perfil, definir a vigência do acesso e submeter a solicitação à aprovação do usuário Master. A movimentação depende ainda da aprovação do dispositivo, o que torna a distribuição de tarefas uma questão operacional além da tarifa.

Se os recebimentos por boleto ultrapassam regularmente a franquia do perfil disponível no Inter, a cobrança gratuita do Nu Empresas oferece um custo mais previsível para essa parte do caixa. Dentro da franquia, o boleto não desempata a escolha: o peso passa para os saques, as permissões necessárias à equipe e a forma como os clientes efetivamente pagam.

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