Nu Empresas ou Inter PJ: o saque e a maquininha quebram o empate

|Autor: Equipe editorial da QUASA|7 min de leitura| 2
Nu Empresas ou Inter PJ: o saque e a maquininha quebram o empate

Para quem recebe por Pix, cobra por boleto e não usa dinheiro em espécie, Nu Empresas e Inter PJ podem ter custo bancário básico semelhante. A diferença aparece nos saques e nas vendas presenciais: o Inter oferece uma maquininha física, enquanto os dois bancos têm soluções para aceitar cartão pelo celular. Nas tarifas de Nu Empresas, manutenção, Pix, TED e boleto de cobrança pago aparecem sem cobrança, e o saque com cartão de débito custa R$ 6,50.

O Inter Empresas apresenta Pix gratuito, TEDs e boletos gratuitos por mês, além da maquininha física Inter Pag e da opção de vender pelo celular. Assim, a escolha depende de quantas retiradas a empresa faz, de como cobra seus clientes e de qual equipamento precisa para aceitar cartões. A gratuidade da conta, isoladamente, deixa de ser uma medida suficiente quando há custo por saque ou por venda.

O que entra na conta básica gratuita

Manutenção e operações usuais não precisam gerar uma despesa mensal fixa nas contas comparadas. Isso interessa especialmente ao negócio que recebe por Pix, faz transferências e emite boletos de cobrança sem vender por cartão. Nessa rotina, uma diferença pequena no preço de um serviço pouco usado terá menos efeito que a forma de organizar e acompanhar os recebimentos.

Há uma distinção relevante nos boletos. A tarifa de Nu Empresas para boleto de cobrança pago é zero; no Inter, a oferta empresarial descreve boletos gratuitos por mês e apresenta franquias de liquidação conforme o perfil de relacionamento. Emissão, liquidação e boleto de depósito não são necessariamente a mesma operação. Uma empresa com grande volume de cobranças deve comparar a modalidade que realmente usa e a franquia aplicável à sua conta antes de tratar toda a operação como ilimitada.

O cartão empresarial também pede cuidado na comparação. Anuidade é o custo de manter o cartão usado nas despesas da empresa; taxa de aceitação é o valor descontado quando um cliente paga uma venda com cartão. Ter cartão sem anuidade, portanto, não elimina o custo de receber no débito ou no crédito. Para um negócio que cobra quase sempre por Pix ou boleto, essa distinção pouco altera a conta mensal; para um comércio, ela pode dominar o cálculo.

Quanto os saques mudam o resultado

Na retirada em caixa eletrônico, a vantagem tarifária do Inter para os perfis empresariais básicos é pequena, mas verificável. A regra de saques do Inter cobra R$ 6,40 por operação de clientes MEI e PJ Digital; para PJ Enterprise, informa saques gratuitos e ilimitados. A condição empresarial básica difere da franquia gratuita anunciada para pessoas físicas, que não deve entrar no orçamento de um MEI ou de uma PJ Digital.

Num exemplo hipotético de oito retiradas no mês, seriam R$ 51,20 no Inter e R$ 52,00 no Nu Empresas. A economia do Inter seria de R$ 0,80. Com quatro retiradas, a diferença cairia para R$ 0,40. Esses valores consideram apenas as tarifas por operação: o dinheiro retirado é o mesmo nos dois casos, e uma eventual cobrança do terminal deve ser observada separadamente.

Para o prestador que recebe eletronicamente, mas precisa sacar parte do faturamento, o número de visitas ao caixa importa mais para o gasto total do que a diferença de dez centavos entre os bancos. Se as retiradas forem raras, o saque dificilmente decidirá a escolha. Se forem frequentes, a conta mensal deve usar a tarifa do segmento empresarial correspondente, pois condições de outros perfis do Inter mudam o resultado.

Cobrança remota e cartão têm custos diferentes

Pix e boleto atendem a cobranças à distância sem exigir uma transação de cartão. O vendedor pode, porém, precisar oferecer crédito à vista ou parcelado, seja por link, seja no balcão. Nesse momento, o custo da conta e o custo da venda passam a ser componentes separados: uma transferência gratuita não informa quanto será descontado de um pagamento com cartão.

Para comparar propostas de aceitação, é preciso usar a mesma mistura de vendas em cada uma. Uma operação concentrada no débito terá resultado diferente da que parcela compras no crédito, mesmo com faturamento mensal idêntico. Também importa o prazo de recebimento escolhido, porque uma oferta com antecipação pode ter preço diferente da liquidação no prazo padrão. Sem essas condições, uma taxa anunciada isoladamente não produz uma comparação mensal confiável.

Terminal físico ou celular no caixa

A Inter Pag oferece equipamento dedicado para vendas presenciais. Na orientação da Inter Pag, o aluguel da maquininha parte de R$ 39,90 por mês, enquanto as taxas de clientes PJ variam conforme CNAE e faturamento. O aluguel é um ponto de partida para simular uma proposta com terminal; a despesa efetiva depende do equipamento contratado e das taxas oferecidas à empresa.

O Tap to Pay de Nu Empresas aceita cartão por aproximação em celular compatível com NFC, sem adesão, aluguel ou manutenção; a página apresenta 0,89% no débito e 3,09% no crédito à vista e orienta conferir no aplicativo os valores vigentes. O Inter também oferece maquininha no celular, sem mensalidade anunciada em sua oferta empresarial. Por isso, preferir cobrar pelo telefone não leva automaticamente ao Nubank: é preciso comparar as taxas efetivamente disponíveis em cada conta.

Num comércio hipotético que venda R$ 5.000 no débito e R$ 5.000 no crédito à vista, tudo por aproximação, as taxas apresentadas para o Tap to Pay de Nu Empresas somariam R$ 44,50 e R$ 154,50, respectivamente: R$ 199,00 no mês. Se a proposta da Inter Pag incluir aluguel de R$ 39,90, suas taxas sobre essas mesmas vendas precisariam somar menos de R$ 159,10 para que o custo total ficasse abaixo de R$ 199,00. Isso corresponde a uma taxa média inferior a 1,591% sobre o volume simulado, não a uma taxa prometida pelo Inter.

O cálculo muda quando a empresa usa a solução do Inter pelo celular, pois a comparação deixa de incluir aluguel de terminal físico. Também muda se o comércio vende parcelado, tem outra distribuição entre débito e crédito ou recebe uma proposta específica de taxas. A maquininha física continua sendo uma diferença operacional concreta para quem precisa de um aparelho dedicado no caixa; para quem pode cobrar pelo telefone, os dois bancos entram na disputa pelo custo de cada venda.

Três perfis mensais lado a lado

  • Negócio digital: num mês hipotético com recebimentos por Pix, dez boletos de cobrança, dez transferências por Pix, nenhum saque e nenhuma venda por cartão, as tarifas básicas consideradas somam R$ 0 em cada conta, respeitadas as condições do perfil e da modalidade de boleto. O critério passa a ser a rotina de cobrança oferecida por cada banco.
  • Prestador que saca dinheiro: mantendo as operações eletrônicas do exemplo anterior e acrescentando oito saques, o gasto calculado com retiradas é de R$ 51,20 no Inter MEI ou PJ Digital e R$ 52,00 no Nu Empresas. O Inter fica R$ 0,80 abaixo nesse mês hipotético; o valor não representa uma economia grande por si só.
  • Comércio presencial: com R$ 10.000 em cartões, divididos igualmente entre débito e crédito à vista por aproximação, o Tap to Pay de Nu Empresas chega a R$ 199,00 pelas taxas usadas na simulação. Uma proposta de terminal físico da Inter Pag acrescenta aluguel às taxas de venda, enquanto a opção pelo celular dispensa esse aluguel. Sem as taxas oferecidas ao comércio pelo Inter, há um ponto de comparação, mas não um vencedor tarifário comprovado.

Para escolher entre as contas, a empresa precisa comparar operações equivalentes. Pix, transferências e boletos podem deixar a despesa bancária básica próxima de zero; o saque dá uma vantagem modesta ao Inter nos segmentos citados. Na venda presencial, o que altera a decisão é a combinação entre equipamento, aluguel quando houver e taxas aplicadas à mistura real de débito e crédito do negócio.

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