
Teachable ou Thinkific: vender pouco torna a comissão decisiva

Com cobrança anual, o Starter da Teachable custa US$ 29 por mês e cobra 7,5% sobre as vendas; o Basic da Thinkific custa US$ 40 por mês. Considerando apenas assinatura e comissão de plataforma, o Starter sai mais barato até US$ 1.760 em vendas anuais. Acima desse valor, o Basic passa a custar menos, desde que a empresa possa usar o Thinkific Payments.
Para uma empresa sediada no Brasil, essa condição muda a resposta. A disponibilidade dos processadores determina se o checkout previsto na conta pode ser usado e quais tarifas, recursos de venda e responsabilidades tributárias acompanham cada plano. O volume de produtos e as atividades oferecidas aos alunos também podem justificar uma mensalidade maior antes de atingir o ponto de equilíbrio financeiro.
Quando a comissão supera a diferença de assinatura
No contrato anual, a assinatura do Starter soma US$ 348; a do Basic, US$ 480. A diferença de US$ 132 equivale a 7,5% de US$ 1.760. Assim, a fórmula simplificada é US$ 348 mais 7,5% das vendas para o Starter, contra US$ 480 para o Basic com Thinkific Payments. São custos de plataforma: processamento de cartões, conversão de moeda e tributos ainda não entraram na conta.
Três cenários hipotéticos mostram o custo anual de assinatura e comissão. O faturamento indicado em cada um é apenas uma premissa para o cálculo, não uma previsão de vendas:
- Com US$ 1.000 em vendas, o Starter soma US$ 423, enquanto o Basic permanece em US$ 480. A assinatura menor compensa a comissão.
- Com US$ 5.000 em vendas, o Starter chega a US$ 723. O Basic permanece em US$ 480 sob as mesmas condições de pagamento.
- Com US$ 10.000 em vendas, o Starter soma US$ 1.098. O Builder da Teachable soma US$ 828 se puder operar sem comissão de plataforma; o Basic continua em US$ 480.
A troca entre planos da própria Teachable tem outro limite. O Builder custa US$ 69 por mês no contrato anual, ou US$ 828 por ano, e anuncia comissão de plataforma de 0% com Teachable Payments. Frente ao Starter, seus US$ 480 adicionais de assinatura equivalem a 7,5% de US$ 6.400 em vendas. Acima desse faturamento, eliminar a comissão reduz a soma calculada; abaixo dele, a mudança precisa ser justificada por recursos ou capacidade de publicação.
Na cobrança mês a mês, o Starter custa US$ 39 mensais e o Basic, US$ 54. A diferença de assinatura passa a US$ 180 em um ano, elevando o ponto de equilíbrio calculado para US$ 2.400 em vendas. Por isso, uma comparação entre o preço anual de um plano e o preço mensal do outro produz uma vantagem artificial.
O checkout altera a conta para quem vende do Brasil
A configuração de pagamentos da Teachable inclui Portugal, mas não o Brasil, na lista do Teachable Payments e direciona escolas fora dela ao Custom Payment Gateway. Nesse gateway, a empresa conecta uma conta Stripe própria; a Teachable não faz automaticamente o cálculo, a cobrança nem o recolhimento de tributos sobre as vendas. As formas de pagamento disponíveis também são mais restritas do que no Teachable Payments.
A lista de países do Thinkific Payments também inclui Portugal e não inclui o Brasil. O cenário em que o Basic custa apenas US$ 480 anuais de assinatura, sem comissão de gateway terceiro, descreve uma empresa elegível para esse processador. A localização dos alunos, mesmo quando as vendas são internacionais, não torna elegível uma empresa estabelecida fora dos países atendidos.
A documentação da integração com Stripe da Thinkific reserva o checkout integrado com conta Stripe própria ao plano Grow ou superior. O Grow custa US$ 164 por mês na contratação anual, totalizando US$ 1.968 de assinatura por ano, antes das tarifas de processamento. A documentação delimita a cobrança adicional por gateway terceiro a empresas em mercados específicos; sua tabela não autoriza aplicar automaticamente ao Brasil a taxa indicada para esses mercados.
Isso impede transportar o ponto de US$ 1.760 diretamente para um orçamento brasileiro. Também impede tratar o custo do Basic como se o Thinkific Payments estivesse disponível ou presumir que o tratamento tributário do Teachable Payments acompanhe o Custom Payment Gateway. Em reais, ainda será preciso considerar a taxa efetiva de conversão da assinatura em dólares e, quando houver venda internacional, as condições de recebimento na moeda escolhida.
O limite de produtos pode antecipar a mudança de plano
O Starter permite publicar cinco produtos; o Builder, dez; e o Growth, cinquenta. Para essa contagem, um produto publicado pode ser um curso, uma oferta de coaching ou um download digital. Rascunhos, assinaturas e pacotes não ocupam essas vagas. Um criador que divide o conteúdo em vários materiais vendidos separadamente pode atingir o limite do Starter mesmo com receita inferior ao ponto em que a comissão justificaria o Builder.
O Thinkific Basic oferece cursos ilimitados, mas mantém um limite próprio para downloads digitais, como e-books e modelos. Essa distinção importa para quem monta um catálogo misto: cursos e arquivos avulsos não consomem a mesma capacidade. O número de cursos, portanto, favorece o Basic em uma comparação de catálogo, sem resolver por si só a disponibilidade do checkout para uma empresa brasileira.
Na experiência de aprendizagem, o Basic inclui videoaulas, questionários, discussões entre alunos e uma comunidade. O Start acrescenta turmas ao vivo, atividades avaliadas e certificados de conclusão. Na Teachable, os aplicativos para alunos em iOS e Android, comentários nas aulas e questionários com correção automática aparecem desde o Starter; certificados estão no Growth. Uma escola que precisa avaliar trabalhos ou emitir comprovantes de conclusão deve comparar o plano que entrega esses recursos, e não apenas os preços de entrada.
O preço anunciado não é o custo de vender
Os dois planos de entrada anunciam ferramentas para o checkout, incluindo ofertas adicionais e recuperação de carrinho. Na Thinkific, parte das ferramentas de venda vinculadas ao TCommerce depende do Thinkific Payments como processador principal. Na Teachable, a escolha do gateway muda os meios de pagamento e o tratamento dos tributos. Esses efeitos podem ser mais relevantes que a diferença de assinatura para quem atende alunos em vários países.
O Starter é a opção de menor custo na conta simplificada quando as vendas são baixas e o catálogo cabe em seu limite. Com vendas mais altas, a comissão torna o Basic mais barato na comparação entre empresas elegíveis aos processadores considerados. Para uma operação no Brasil, a decisão financeira depende primeiro do checkout que pode ser ativado em cada plano; depois entram assinatura, comissão de plataforma, processamento, câmbio e tributos aplicáveis.
Leia também:
Artigos relacionados


Linktree ou Beacons: vender pouco pode sair mais caro que assinar

Nuvemshop ou Shopify: dólar, Pix e taxas mudam a escolha no Brasil

Google Workspace ou Microsoft 365: 30 GB contra 1 TB mudam a conta

Substack fica com 10%, mas a taxa fixa pune a assinatura barata

Clockify ou Toggl: o plano barato pode cobrar em vigilância
Assine nossa newsletter
Receba as últimas notícias sobre Web3, IA e cripto diretamente no seu e-mail.