IVVB11 ou NASD11: mais retorno recente veio com mais oscilação

|Autor: Equipe editorial da QUASA|6 min de leitura| 7
IVVB11 ou NASD11: mais retorno recente veio com mais oscilação

Para usar grandes ações americanas como base da parcela internacional da carteira, o IVVB11 oferece exposição mais ampla. O NASD11 atende a quem quer aumentar deliberadamente o peso das companhias do Nasdaq-100 e aceita uma seleção mais concentrada. No recorte histórico comparado, esse foco veio acompanhado de retorno maior e oscilação maior.

Em 27 de agosto de 2026, o comparativo da Analistas registrava retorno de 18,25% para o NASD11 e 13,21% para o IVVB11 em 12 meses; em três anos, 100,48% e 81,92%; na volatilidade anualizada, 17,73% e 11,81%, respectivamente. O retrato mostra o que ocorreu naquele período, sem estabelecer uma relação fixa entre ganho e risco para os anos seguintes.

O que cada fundo coloca na carteira

A diferença começa nas regras dos índices. A ficha da BlackRock informa que o IVVB11 busca acompanhar, em reais, o desempenho do S&P 500 e dá acesso às principais ações americanas por meio de um ETF local. É uma escolha para distribuir a exposição por um conjunto maior de empresas e setores. Como o índice atribui pesos diferentes às companhias, essa amplitude não torna a influência de cada ação igual.

O NASD11 segue uma seleção distinta. A descrição da XP Investimentos apresenta o fundo como exposição ao Invesco QQQ Trust, referenciado ao Nasdaq-100, e aponta maior concentração em tecnologia do que em índices amplos de ações americanas. O caminho pelo QQQ importa: o investidor compra uma cota negociada no Brasil, enquanto a exposição econômica acompanha um fundo ligado ao índice americano. O resultado em reais também depende do câmbio.

O Nasdaq-100 descrito pela Nasdaq reúne grandes empresas não financeiras listadas naquela bolsa, inclui setores como saúde, consumo e indústria e usa pesos ligados ao valor de mercado. Portanto, comprar NASD11 não equivale a comprar todas as ações da Nasdaq nem apenas empresas de tecnologia. A seleção exclui financeiras e dá mais influência às companhias de maior peso, o que ajuda a explicar por que sua trajetória pode divergir da de um índice americano mais abrangente.

Também há sobreposição entre as duas exposições: uma grande companhia pode integrar tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq-100. Acrescentar NASD11 a uma posição em IVVB11 pode aumentar o peso de ações que o investidor já possui indiretamente. A combinação amplia a aposta naquela seleção específica; não deve ser interpretada como a soma de duas carteiras independentes.

O que o retorno não mostra sozinho

O retorno acumulado informa onde cada cotação terminou depois do período escolhido. A volatilidade anualizada resume a intensidade das variações observadas ao longo da série. Assim, dois fundos podem terminar com ganhos e proporcionar experiências diferentes a quem precisou vender antes: oscilações mais fortes aumentam a chance de encontrar um preço desfavorável no momento da venda.

Volatilidade também não é o tamanho máximo de uma perda possível. Ela mede a dispersão histórica das variações, enquanto uma queda prolongada, a velocidade de recuperação e a necessidade de resgatar dinheiro afetam o investidor de outras maneiras. No recorte apresentado, o NASD11 superou o IVVB11 em retorno e oscilou mais; esses números não permitem concluir que a diferença de retorno compensará sempre o risco adicional.

O prazo escolhido pode mudar a ordem dos resultados. Um intervalo favorável às empresas de maior peso no Nasdaq-100 beneficia mais uma carteira concentrada nelas; em outra fase, setores com maior presença no S&P 500 podem ganhar relevância. Por isso, a vantagem registrada no período responde qual fundo rendeu mais naquele intervalo, mas a escolha entre os dois depende da exposição que se pretende manter ao longo de fases diferentes do mercado.

Há ainda uma diferença de cálculo relevante. O comparador descreve seu gráfico como variação de cotação, sem reinvestimento de proventos. Já a BlackRock apresenta dados de desempenho do IVVB11 pela cota patrimonial, com outra metodologia e datas próprias. Colocar lado a lado percentuais extraídos dessas bases pode produzir uma diferença que vem do método, além da diferença entre os investimentos. A comparação de retorno e volatilidade acima usa um mesmo recorte para os dois códigos.

Taxa, negociação e câmbio

A taxa divulgada para o IVVB11 é de 0,23% ao ano. A página do NASD11 na XP Asset informa taxa de administração de 0,30% ao ano para o fundo. Nesse critério divulgado, o IVVB11 custa menos. A diferença de taxa se acumula ao longo do tempo, mas é pequena em comparação com as variações que uma posição em ações pode apresentar.

A taxa de administração reduz o patrimônio do fundo continuamente; ela não aparece como uma cobrança separada a cada compra. Para quem negocia cotas, há também a diferença entre o melhor preço de compra e o de venda, além de eventuais custos da corretora. Essa diferença pode pesar mais para quem movimenta a posição com frequência do que para quem faz aportes espaçados e mantém as cotas por mais tempo.

Ambos são negociados em reais e dão exposição a ativos ligados ao mercado americano. Se o dólar subir diante do real, pode ampliar o resultado em reais; se cair, pode diminuir um ganho obtido pelas ações no exterior. Esse efeito cambial não transforma IVVB11 e NASD11 em exposições equivalentes: os índices continuam selecionando e ponderando empresas de maneiras diferentes.

Como a escolha muda uma carteira

Considere uma simulação hipotética em que toda a parcela reservada a grandes ações americanas fique em IVVB11. O resultado dessa parcela ficará ligado ao índice mais amplo. Se o investidor destinar 80% dela ao IVVB11 e 20% ao NASD11, acrescentará peso ao grupo selecionado pelo Nasdaq-100. Os percentuais ilustram a mudança de exposição; não representam uma alocação recomendada nem uma previsão de desempenho.

Para uma base ampla, a combinação de maior abrangência e menor taxa divulgada favorece o IVVB11. O NASD11 serve a uma decisão mais específica: aceitar maior concentração para dar peso adicional às empresas do Nasdaq-100. Seu retorno superior no período observado torna essa escolha compreensível, mas a volatilidade maior mostra o custo de risco que a acompanhou naquele recorte.

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