Arcade deixa de cuidar só dos Sidemen — agora quer criar marcas de mídia

Em 11 de setembro de 2026, a Arcade apresentou sua nova fase como empresa de entretenimento voltada a criadores, ampliando a operação construída em torno dos Sidemen. O relançamento acrescenta seis nomes ao elenco e coloca conteúdo, comércio, apresentações ao vivo e desenvolvimento de propriedade intelectual no centro do negócio.
A reformulação divulgada em 11 de setembro não representa uma ruptura com os Sidemen: o coletivo continua como parceiro original da empresa. Segundo a apuração do Net Influencer, os novos contratados são Max Fosh, Friends From Work, John Nellis, Faith Kelly, Generation Football e Fallow Chefs; a Arcade também prepara para 17 de setembro, em Londres, um evento comercial fechado para anunciantes.
De uma operação dos Sidemen para um elenco mais amplo

A expressão “deixa de cuidar só dos Sidemen” descreve uma expansão, não a saída do grupo. A Arcade nasceu em 2021 como uma operação de gestão e novos negócios ligada ao coletivo e agora pretende aplicar essa experiência a criadores com formatos e públicos diferentes.
O novo elenco combina comédia, entretenimento em grupo, esporte, vídeos curtos, futebol e gastronomia. Max Fosh atua principalmente com comédia; Friends From Work reúne Arthur Frederick, Arthur Hill, George Clarkey e ItalianBach; John Nellis produz conteúdo esportivo; Faith Kelly trabalha com vídeos curtos; Generation Football publica quizzes de futebol; e Fallow Chefs é o projeto de Jack Croft e Will Murray, fundadores do restaurante londrino Fallow.
Essa variedade ajuda a explicar o reposicionamento. A Arcade deixa de depender de um único coletivo e passa a testar sua estrutura em projetos com ritmos de produção, comunidades e extensões comerciais distintas. A permanência dos Sidemen preserva a base original enquanto a empresa amplia o portfólio.
Gestão, propriedade intelectual e vendas passam a formar uma cadeia

A mudança tem três camadas. A gestão de carreira e de oportunidades comerciais continua sendo a porta de entrada, mas a Arcade quer participar também da criação de formatos duradouros — incluindo conteúdo de longa duração, entretenimento ao vivo e projetos de marca — e da apresentação desses projetos ao mercado publicitário.
O objetivo declarado é transformar criadores em marcas de mídia presentes em conteúdo, comércio e cultura. Isso significa tentar construir ativos que não dependam apenas da publicação seguinte em um canal: um formato pode gerar temporadas, eventos, produtos, licenciamento ou parcerias comerciais, desde que cada criador tenha público e proposta compatíveis.
A integração muda a relação tradicional entre criador, agência e anunciante. Em vez de a gestão negociar somente campanhas isoladas, a empresa pode acompanhar um projeto da concepção à venda publicitária. Ainda não foram divulgadas as regras de propriedade, investimento ou divisão de receitas dos futuros formatos, portanto não é possível saber quanto controle econômico ficará com cada criador.
Quatro áreas sustentam o reposicionamento
A estrutura institucional da Arcade organiza a operação em quatro áreas: Talent, Business, Creative e Ventures. A divisão mostra que o relançamento vai além de aumentar uma lista de representados.
- Talent concentra gestão e desenvolvimento de criadores.
- Business reúne suporte empresarial para operações em crescimento.
- Creative desenvolve trabalho criativo para criadores e marcas.
- Ventures abriga iniciativas empresariais que podem ultrapassar a produção regular de conteúdo.
Os Sidemen funcionam como a principal referência do modelo porque sua atividade já se estendeu a assinaturas, partidas beneficentes, alimentação, bebidas e produtos licenciados. Isso não significa que os novos contratados repetirão a mesma combinação. A aposta é usar capacidades semelhantes de gestão, criação e desenvolvimento comercial para encontrar extensões adequadas a cada projeto.
O upfront leva os projetos diretamente aos anunciantes

O primeiro teste público da estratégia será o creator media upfront planejado para 17 de setembro, em Londres. A reportagem do The Daily Influence registra que a Arcade espera reunir mais de 150 anunciantes, marcas e parceiros em um encontro fechado com prévias de programações de conteúdo, dados de audiência e análises.
A Arcade apresenta o encontro como o primeiro evento europeu desse tipo dedicado à mídia de criadores. O termo “upfront” vem da televisão, onde grupos exibem antecipadamente sua programação para abrir negociações publicitárias. Na adaptação proposta pela empresa, diferentes criadores e projetos são reunidos em uma apresentação comum, em vez de cada publicação patrocinada ser vendida separadamente.
Isso pode aproximar a compra de mídia de criadores do planejamento de uma programação: o anunciante recebe uma visão antecipada de formatos, calendários e públicos, enquanto a Arcade ganha uma vitrine conjunta para propriedades distintas. Por enquanto, porém, trata-se de uma proposta comercial ainda sem resultados publicados.
Estão confirmados o relançamento, os seis novos contratos, a permanência dos Sidemen e a estrutura da operação em quatro áreas. Como o upfront ainda não havia ocorrido em 13 de setembro, seguem desconhecidos os projetos que serão apresentados, os acordos decorrentes do encontro e as condições econômicas das novas propriedades intelectuais. Esses serão os próximos dados capazes de mostrar se a Arcade conseguiu avançar da gestão de talentos para uma operação integrada de mídia.
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