SIM-Biomas recebe R$ 147,6 milhões — alertas de fogo vão a 30 metros

|Autor: Equipe editorial da QUASA|5 min de leitura| 1
SIM-Biomas recebe R$ 147,6 milhões — alertas de fogo vão a 30 metros

Em 16 de outubro de 2026, o Fundo Amazônia anunciou o apoio de R$ 147,6 milhões ao SIM-Biomas, projeto que pretende integrar Prodes e Deter com inteligência artificial e levar o mapeamento de áreas queimadas de 1 quilômetro a 30 metros em todos os biomas brasileiros. O BNDES aprovou o financiamento em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; o anúncio ocorreu durante a apresentação de novos dados de desmatamento do Inpe. A resolução anunciada se refere aos mapas das áreas atingidas pelo fogo, não à escala dos alertas operacionais.

A nota do Inpe informa que o apoio será não reembolsável, terá execução prevista em 60 meses e ficará a cargo da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), com trabalho técnico do instituto; o diretor Antônio Miguel Vieira Monteiro espera dados produzidos “em menor tempo e com qualidade superior”. A aprovação estabelece o plano de trabalho, mas as novas capacidades dependem de desenvolvimento e publicação ao longo desse período.

Prodes e Deter terão funções conectadas

Abertura recente na vegetação amazônica representa a detecção rápida e a delimitação detalhada que o SIM-Biomas pretende integrar.

O núcleo do SIM-Biomas é combinar informações que hoje cumprem papéis diferentes. O Prodes calcula taxas de perda de vegetação nativa com precisão espacial; o Deter emite alertas em tempo quase real para orientar a fiscalização de desmatamento e degradação. Integrá-los significa buscar a rapidez do aviso e o detalhamento necessário para caracterizar a mudança na cobertura vegetal. Uma taxa de desmatamento e um alerta operacional têm finalidades distintas.

A automação prevista começa na análise das imagens de satélite e na detecção de alterações da vegetação. Técnicas de inteligência artificial e aprendizado de máquina deverão apoiar a identificação de desmatamento, degradação e recuperação, além de aumentar a frequência das informações produzidas pelo Prodes, inclusive com dados ao longo do ano. O resultado pretendido é reduzir o intervalo entre observar uma mudança e disponibilizar informação útil aos órgãos de controle. Esse ganho depende do funcionamento efetivo da integração, ainda em projeto.

Deter deverá chegar a mais biomas

O monitoramento diário de supressão e degradação já abrange Amazônia, Cerrado e Pantanal. A expansão prevista levará o Deter à Caatinga, à Mata Atlântica e ao Pampa. A mudança estenderia alertas operacionais a áreas que ainda não contam com essa cobertura diária, aproximando o sistema do alcance nacional proposto para o SIM-Biomas.

A ampliação é uma entrega própria, separada da integração com o Prodes. O sistema terá de produzir avisos em paisagens com padrões de vegetação diferentes, de forma que as alterações detectadas possam orientar a fiscalização em cada território. O plano divulgado não fixa uma data individual para a entrada de cada novo bioma; o prazo anunciado vale para a execução do projeto como um todo.

Mapas de queimadas terão contornos mais precisos

Cicatriz de queimada no Pampa mostra o detalhe que o novo mapeamento de áreas atingidas pelo fogo deverá captar.

Na frente dedicada ao fogo, o avanço previsto é a delimitação das cicatrizes deixadas pelas queimadas. Fora do Cerrado, o mapeamento nacional atual trabalha com resolução espacial de 1 quilômetro. A nova metodologia deverá produzir mapas com resolução de 30 metros em todos os biomas, usando também inteligência artificial. Na prática, a malha mais fina permite representar melhor os limites irregulares da área atingida e estimar sua extensão.

Essa escala descreve o detalhamento do produto cartográfico, e não a rapidez de um aviso de incêndio. O projeto prevê produção sistemática dos mapas e séries históricas com a nova metodologia. Se entregues de forma consistente, esses produtos poderão mostrar onde o fogo passou e como a superfície atingida varia entre períodos e biomas, informação relevante para planejar ações de prevenção e combate. O valor para a resposta pública dependerá da publicação regular dos mapas, além da resolução anunciada.

Indicadores reunirão sinais de risco territorial

Outra entrega planejada é o Subsistema de Inteligência Territorial. Ele deverá cruzar registros de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação com informações fundiárias, socioeconômicas e climáticas. Modelos de aprendizado de máquina serão usados para gerar indicadores de risco de curto prazo, principalmente para desmatamento e degradação. Assim, a base poderá indicar onde a pressão sobre a vegetação tende a aumentar.

Os indicadores poderão ser organizados por recortes como bacias hidrográficas e terras indígenas, permitindo observar riscos em territórios que não coincidem necessariamente com limites administrativos. O plano também inclui ferramentas para simular trajetórias de longo prazo sob diferentes condições econômicas, climáticas e de política pública. Esses cenários são projeções condicionais, enquanto os mapas e alertas registram mudanças observadas; a diferença importa para a fiscalização e o planejamento.

TerraBrasilis++ reunirá os produtos ao longo da execução

A reportagem da DCD descreve a TerraBrasilis++ como plataforma pública planejada para reunir mapas, alertas e indicadores do projeto, junto à ampliação da capacidade computacional do Inpe. O ambiente deverá ter uma sala de situação voltada ao acompanhamento de riscos e uma sala de cenários para as projeções. O processamento mais frequente de imagens exige também mais armazenamento, coleções atualizadas e aprimoramentos no Brazil Data Cube.

Há uma frente complementar de medições atmosféricas na Amazônia: sobrevoos deverão coletar amostras de gases de efeito estufa para comparação com estimativas calculadas a partir das mudanças na vegetação. A plataforma terá de apresentar produtos de naturezas diferentes sem misturar observações, alertas e projeções. O próximo marco concreto do SIM-Biomas será a disponibilização dos novos mapas, dos alertas nos biomas incorporados e dos indicadores territoriais, conforme essas etapas forem concluídas.

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