Itaú compra a NeoSpace por R$ 2,925 bilhões, mas ainda depende de dois avais

|Autor: Equipe editorial da QUASA|5 min de leitura
Itaú compra a NeoSpace por R$ 2,925 bilhões, mas ainda depende de dois avais

Em São Paulo, em 26 de outubro de 2026, o Itaú Unibanco assinou contrato para adquirir todas as ações da NeoSpace pelo preço de R$ 2.925.000.000,00 (R$ 2,925 bilhões), com uma parcela a ser paga no fechamento e as demais diferidas ao longo de cinco anos; a conclusão depende de aprovação prévia do Cade e do Banco Central do Brasil, além de outras condições. O acordo fixa os termos da operação, mas ainda não transfere o controle da startup.

A Bloomberg Línea registra que a empresa brasileira foi fundada em 2023 e que Bruno Pierobon, seu fundador, deverá continuar como CEO após a aquisição. Para o Itaú, o interesse central está na capacidade de desenvolver modelos de inteligência artificial com dados do próprio banco. O contrato define o caminho para assumir o controle integral da startup, condicionado ao fechamento.

O contrato de compra ainda precisa virar uma aquisição concluída

O acordo assinado cobre a totalidade das ações da NeoSpace, que poderá ser adquirida diretamente pelo Itaú Unibanco Holding ou por empresas afiliadas. Isso fixa o alcance e os termos centrais da compra entre as partes. A transferência efetiva do controle só ocorrerá depois que as condições anteriores ao fechamento forem satisfeitas.

O Cade e o Banco Central precisam dar aprovação prévia à operação. O contrato também inclui outras condições usuais para transações desse tipo. Assim, o anúncio não equivale a um aval regulatório, e o preço pactuado não deve ser lido como desembolso integral já realizado pelo banco.

Há uma diferença relevante entre o valor total e o pagamento inicial. Uma parte do preço ficará para o fechamento; o restante será pago posteriormente e estará sujeito às condições previstas. A divisão entre essas parcelas não foi divulgada, o que impede calcular a saída imediata de caixa quando a compra for concluída. Os termos públicos tampouco estabelecem uma data para esse fechamento.

Os modelos da NeoSpace já eram usados pelo Itaú

A aquisição pretende trazer para dentro do grupo uma capacidade técnica que o Itaú já contratava. A NeoSpace desenvolve grandes modelos fundacionais de dados treinados com informações do banco, usados como base para aplicações de inteligência artificial generativa voltadas a negócios e clientes. A relação comercial anterior explica por que a compra recai sobre uma capacidade técnica já aplicada ao banco.

Crédito, gestão do relacionamento com clientes e prevenção a fraudes são frentes nas quais a colaboração vinha produzindo resultados. Os modelos treinados em dados do banco também são associados à possibilidade de personalizar a gestão financeira e de crédito dos clientes. Para o Itaú, a combinação da equipe especializada com seus dados, conhecimento financeiro e escala pode favorecer modelos mais ajustados a tarefas específicas.

O movimento se conecta ainda ao ia.i, assistente de inteligência artificial generativa do banco. O objetivo apresentado é tornar as interações mais contextualizadas e ampliar o uso de modelos especializados em diferentes produtos e serviços. Os termos anunciados não estabelecem um calendário para novas funções do assistente nem apresentam uma projeção quantificada de ganhos futuros.

Adquirir a empresa significa incorporar ao grupo a capacidade de desenvolver e adaptar os modelos usados pelo Itaú. A utilidade esperada depende da continuidade desse trabalho técnico para atender às necessidades do banco. É por isso que os termos sobre manutenção da equipe e autonomia da gestão importam tanto quanto o preço para entender a operação.

De fornecedora e investida a alvo de compra integral

Em 28 de janeiro de 2025, um comunicado do Itaú apresentou a aquisição de 15% da NeoSpace em uma rodada estimada em US$ 18 milhões, com aporte de US$ 15 milhões pelo banco. As empresas também firmaram um acordo comercial para usar modelos da startup e desenvolver juntas produtos exclusivos para a experiência digital do Itaú.

Antes da proposta atual, portanto, o banco já reunia as posições de cliente e investidor minoritário. A NeoSpace continuava sendo uma fornecedora com atuação própria, enquanto os modelos criados em conjunto ganhavam aplicação nos serviços financeiros do Itaú. A compra integral projetada alteraria essa relação societária, aproveitando uma base técnica e comercial construída antes da assinatura.

Os valores dessas etapas têm naturezas diferentes. O aporte anterior financiava uma participação minoritária em uma rodada de investimento; o contrato recente estabelece o preço para adquirir todas as ações. Comparar diretamente os montantes não revela, por si só, a valorização da startup ou o retorno financeiro já obtido pelo banco.

A NeoSpace deve manter gestão e equipe próprias

O controle acionário previsto para o Itaú conviverá com autonomia operacional da NeoSpace. O acordo determina que a gestão e a condução dos negócios da startup continuem autônomas em relação ao banco e que sua equipe seja mantida. A continuidade da liderança de Pierobon reforça o desenho de uma empresa que seguiria executando suas atividades dentro de um novo arranjo societário.

Essa estrutura preserva o núcleo de pessoas e competências que desenvolve os modelos usados na parceria. Ela também distingue quem será o proprietário das ações de quem conduzirá o trabalho diário da startup. Para os clientes do banco, qualquer ampliação das aplicações de IA dependerá de desenvolvimento e integração posteriores, sem prazo público associado ao contrato.

O próximo marco concreto é a decisão dos órgãos reguladores e o cumprimento das demais condições precedentes. Só depois do fechamento a aquisição integral e o arranjo de gestão previstos poderão passar do contrato à operação efetiva.

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