
Instagram testa vídeos de 90 minutos no Brasil sem dividir receita

Em 26 de outubro de 2026, o Instagram ampliou para criadores selecionados nos Estados Unidos o teste do Features, formato horizontal de até 90 minutos que já era experimentado por criadores no Brasil; a cobertura da expansão também descreve a possibilidade de ligar até oito Reels a um vídeo longo. Para o público brasileiro, isso significa que episódios completos de podcasts ou entrevistas podem circular dentro do aplicativo, mas apenas as contas incluídas no teste podem publicá-los como Features.
Os vídeos podem aparecer no Feed e no Explorar, e os cortes em Reels levam o espectador ao episódio integral. O The Next Web informa que, nesta fase, o Instagram não planeja repartir com os criadores a receita publicitária do formato. A possibilidade de distribuir uma conversa inteira chegou, portanto, sem remuneração automática pelos anúncios do episódio.
O caminho entre o corte e o episódio
O Features combina uma gravação horizontal longa com a descoberta que já acontece nos vídeos curtos. O criador publica a versão completa e pode associar Reels extraídos dela, para que um trecho visto no aplicativo funcione como entrada direta para o programa. A ligação dispensa que o espectador procure o episódio por conta própria em outro serviço.
Essa relação altera o papel editorial dos cortes. Um momento curto precisa funcionar sozinho para quem o encontra no Feed, mas também pode apresentar uma pergunta, um argumento ou uma conversa que continua no vídeo integral. Os trechos ligados ao mesmo episódio permitem mostrar passagens diferentes sem transformar cada corte em um convite genérico para procurar o programa.
Há outra rota de descoberta: o vídeo completo pode circular no Feed e no Explorar mesmo quando alguém não chega por um Reel. O formato horizontal permite aproveitar entrevistas e videopodcasts já gravados nessa orientação. Ainda assim, publicar o arquivo completo e criar cortes ligados a ele são tarefas distintas; o teste oferece o caminho entre os formatos, sem prometer que quem vê o trecho assistirá até o fim.
O que a participação brasileira permite
O Brasil entrou no experimento antes da ampliação para os Estados Unidos. Isso coloca criadores brasileiros entre os primeiros participantes, mas não transforma o Features em uma opção disponível para qualquer perfil do país. A publicação depende de acesso concedido à conta, e não há data anunciada para uma abertura geral aos brasileiros.
Para quem já grava programas em vídeo, a diferença prática é entre preparar material e conseguir distribuí-lo nesse novo espaço. É possível separar uma versão horizontal completa e escolher trechos que façam sentido como Reels usando um acervo existente. A conexão desses trechos ao episódio como Feature, porém, só se concretiza para uma conta habilitada; sem acesso, essa etapa não pode entrar no calendário de publicação.
O teste também não traz uma medida pública de audiência ou retenção que permita prever o desempenho de um episódio brasileiro. O Feed e o Explorar são locais possíveis de distribuição, não compromissos de entrega a determinado público. Essa distinção importa para quem calcula horas de edição: uma nova área dentro do Instagram ainda não informa quantas visualizações ela poderá acrescentar.
Sem divisão de anúncios, há acordos individuais
A ausência de participação na receita publicitária não significa que nenhum participante receba dinheiro da Meta. Em apuração do Business Insider, ofertas a criadores selecionados foram de US$ 50 mil e chegaram a US$ 500 mil; um porta-voz da Meta disse à publicação que a empresa está “funding Features content directly with some creators right now”. São acordos negociados diretamente, sem indicação de que esses valores ou condições se apliquem aos participantes brasileiros.
Para um criador que não recebeu proposta individual, a conta econômica permanece aberta. Revisar a gravação horizontal, selecionar passagens, produzir os Reels e publicar cada peça consome trabalho; o teste não oferece uma parcela automática da receita dos anúncios do episódio para cobrir esse esforço. Patrocínio contratado pelo próprio criador é outra fonte possível de renda, mas depende do acordo comercial dele e não da distribuição de anúncios pelo Instagram.
A comparação com o YouTube muda nesse ponto. Canais qualificados para o Programa de Parcerias podem receber uma parte da publicidade associada aos vídeos longos; no Features, a publicação por si só não cria esse fluxo. Um pagamento pontual negociado com a Meta tem condições definidas em contrato, enquanto a divisão de anúncios depende das regras e do desempenho de um programa. Confundir os dois modelos pode levar a uma estimativa irreal de retorno para um podcast ou uma série de entrevistas.
Quando adaptar um programa já gravado
Para um episódio existente, a adaptação faz mais sentido quando a conta já participa do teste, o vídeo original está em orientação horizontal e há trechos capazes de levar o público à conversa completa. Nesse caso, o custo adicional fica concentrado na revisão do arquivo, na escolha dos cortes e na publicação. O ganho possível é acrescentar uma rota de descoberta dentro do Instagram para um conteúdo que já foi produzido.
Se a conta ainda não foi incluída, gravar uma nova série exclusivamente para o Features antecipa custos para uma distribuição que o criador não pode executar. Mesmo para quem tem acesso, produzir um episódio novo com equipe, cenário e edição próprios exige uma justificativa diferente da simples reutilização de material. A receita de anúncios do formato não pode entrar como valor certo nessa decisão; só um patrocínio ou acordo individual efetivamente firmado muda essa conta.
O próximo dado decisivo será a combinação entre a ampliação do acesso e as regras de remuneração que o Instagram vier a publicar. Até lá, criadores brasileiros com acesso podem medir a resposta aos próprios episódios como distribuição adicional, enquanto a migração de uma produção inteira continua dependente de condições comerciais concretas.
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