
Cloudflare R2 ou Backblaze B2: a saída gratuita muda com o tráfego

Para backup com poucas restaurações, o Backblaze B2 tende a custar menos; para mídia entregue diretamente em volume muito maior que o acervo guardado, o Cloudflare R2 pode inverter a conta. A tarifa do R2 Standard não cobra transferência de saída direta, mas cobra armazenamento e operações acima das franquias mensais.
O preço do B2 combina armazenamento a US$ 6,95 por TB em 30 dias com saída gratuita de até três vezes a média mensal armazenada; fora das rotas parceiras, o excedente custa US$ 0,01 por GB. Assim, o alcance da saída gratuita depende do serviço e do tráfego. Três cargas hipotéticas mostram quando cada parcela domina a fatura.
Quais parcelas entram na conta
No R2 Standard, o armazenamento custa US$ 0,015 por GB-mês depois dos primeiros 10 GB-mês gratuitos. A franquia inclui 1 milhão de operações de classe A, como PutObject, e 10 milhões de classe B, como GetObject. Acima dela, as tarifas são US$ 4,50 por milhão de operações A e US$ 0,36 por milhão de operações B. A Cloudflare arredonda o consumo faturável para a unidade de cobrança seguinte, detalhe relevante quando a carga fica logo acima de uma franquia.
O B2 isenta os primeiros 10 GB armazenados. Suas operações de classes A, B e C, incluindo gravação e leitura de objetos pela API compatível com S3, são gratuitas no plano de pagamento por uso; chamadas de notificação da classe D seguem outra regra e ficam fora das simulações. A franquia de saída acompanha a média armazenada, e não apenas o volume existente no último dia do mês. Downloads para ou por parceiros de CDN e computação podem ter saída ilimitada sem cobrança do B2, embora a entrega por esses parceiros possa trazer uma conta própria.
Para manter a comparação reproduzível, os perfis usam 30 dias, armazenamento constante, 1 TB igual a 1.000 GB e downloads diretos fora das rotas parceiras. Contam apenas armazenamento de origem, operações e transferência; impostos, câmbio, CDN, computação e chamadas adicionais da aplicação ficam fora. A classe Infrequent Access do R2 também fica fora porque acrescenta tarifa de recuperação e duração mínima de armazenamento, o que mudaria especialmente a conta de backup.
Backup frio: o espaço armazenado pesa mais
Considere, como exemplo hipotético, 1.000 GB guardados durante todo o mês, 10 mil gravações, mil leituras e 100 GB restaurados. As operações cabem nas franquias do R2, enquanto a saída fica abaixo dos 3.000 GB incluídos no B2. O R2 cobra 990 GB-mês e totaliza US$ 14,85; o B2 cobra o equivalente a 990 GB e chega a aproximadamente US$ 6,88.
Nessa carga, a escolha é determinada pelo preço de manter os arquivos. Uma restauração rara não transforma a ausência de tarifa de saída do R2 em economia, pois o B2 já cobre o tráfego previsto. Se o backup crescer ou for apagado ao longo do período, o saldo de fim de mês pode distorcer a projeção: o consumo faturável depende do armazenamento ao longo do mês, calculado segundo as regras de cada provedor.
Mídia pública: o caminho dos downloads muda a fatura
Suponha agora os mesmos 1.000 GB armazenados, com 100 mil gravações, 20 milhões de leituras e 10.000 GB de downloads diretos no mês. No R2, o espaço custa US$ 14,85 e os 10 milhões de leituras além da franquia somam US$ 3,60, levando a US$ 18,45. No B2, os 3.000 GB incluídos deixam 7.000 GB sujeitos à tarifa de saída: US$ 70, além de aproximadamente US$ 6,88 pelo espaço, ou US$ 76,88.
A transferência é a maior parcela do B2 nesse cenário, mas o resultado depende da rota de entrega. Com um parceiro elegível, a cobrança de saída da origem pode desaparecer, e a comparação passa a depender do custo de distribuir o conteúdo. O cache também reduz acessos à origem: uma imagem servida sem nova leitura do objeto não gera a mesma contagem de operações nem os mesmos bytes de saída do armazenamento. Tráfego visto pelo usuário final e tráfego faturável na origem podem, portanto, ser volumes diferentes.
Se o acervo e as 20 milhões de leituras permanecerem iguais, as duas estimativas se encontram perto de 4.157 GB de saída direta mensal. Até os 3.000 GB incluídos, o B2 conserva a vantagem do armazenamento mais barato; depois, cada GB adicional acrescenta US$ 0,01 à sua conta. O ponto de equilíbrio é específico dessa carga: mais leituras cobradas no R2 deslocam o limite, enquanto mais bytes por leitura favorecem o serviço sem tarifa direta de saída.
Objetos pequenos: requisições superam o espaço
Imagine 5 milhões de objetos de 20 KB cada, ou 100 GB em unidades decimais. Cada objeto é gravado uma vez e lido integralmente 20 vezes durante o mês: são 5 milhões de gravações, 100 milhões de leituras e 2.000 GB de saída. No R2, 90 GB-mês faturáveis custam US$ 1,35; as gravações excedentes, US$ 18; e as leituras excedentes, US$ 32,40. O total estimado chega a US$ 51,75.
No B2, os 90 GB faturáveis custam cerca de US$ 0,63. A franquia de saída é de 300 GB, de modo que os 1.700 GB restantes acrescentam US$ 17 e elevam a conta a US$ 17,63. Mesmo pagando transferência, o B2 fica mais barato nesse perfil porque as requisições A, B e C não acrescentam tarifa. Se cada leitura entregar objetos maiores, os bytes de saída crescerão sem que o número de chamadas precise crescer na mesma proporção.
A contagem de objetos, sozinha, não determina o custo: leituras repetidas de arquivos diminutos deslocam a conta do R2 para operações. Se a aplicação também usar HEAD, listagens ou upload em partes, essas chamadas precisam entrar na classe correspondente antes que os totais sirvam como orçamento de produção.
Desempenho observado: tamanho e região importam
O benchmark da AIMultiple, atualizado em setembro de 2026, executou testes a partir da Europa contra endpoints europeus. Nessa configuração, a latência de upload foi de 517,84 ms no B2 e 171,58 ms no R2. Com arquivos de 1 MB, o throughput de upload foi de 17,5 MB/s no B2 e 4,36 MB/s no R2; com arquivos de 1 GB, foi de 23,54 MB/s e 25,61 MB/s, respectivamente. Para download de 1 GB, o teste registrou 69,11 MB/s no B2 e 63,63 MB/s no R2.
A latência de upload observada pode pesar numa fila de objetos pequenos mesmo quando as chamadas são gratuitas no B2; para arquivos grandes, a diferença de throughput de envio entre os serviços foi pequena naquele teste. Para uma equipe que opera a partir do Brasil, região escolhida, caminho de rede, paralelismo e cache podem alterar a experiência. Na carga de mídia, uma rota que reduz a cobrança na origem também muda o caminho de entrega ao usuário.
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