Caminhada espacial termina com tarefas adiadas após problema no traje

Jessica Meir, da NASA, e Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA), concluíram em 1º de setembro a caminhada espacial US EVA-99 do lado de fora da Estação Espacial Internacional (ISS). A atividade durou 6 horas e 49 minutos e terminou com os reparos prioritários realizados, embora cabos e parte da preparação do radiador do Alpha Magnetic Spectrometer (AMS) tenham ficado para outra saída, segundo o balanço pós-missão da NASA.
As astronautas instalaram um novo retrorefletor, trocaram uma câmera de alta definição e coletaram amostras externas. Perto do fim da EVA, Adenot teve o movimento do braço esquerdo limitado porque o chicote do aquecedor da luva provavelmente ficou preso junto à articulação do ombro; a inspeção feita por Meir pareceu liberar o mecanismo antes do retorno à câmara de descompressão.
O resultado da EVA-99, tarefa por tarefa

A saída produziu três entregas concluídas e duas frentes ainda abertas. O quadro operacional fica assim:
- Retrorefletor — concluído: a unidade defeituosa foi substituída na porta frontal do módulo Harmony.
- Câmera externa — concluída: uma câmera de alta definição com falha foi trocada por uma unidade reserva na estrutura da estação.
- Amostras microbiológicas — concluídas: Adenot passou coletores em áreas próximas à câmara Quest e nas próprias luvas.
- Cabos de ligação — parcial: parte dos jumpers foi instalada ou reposicionada, mas as conexões restantes foram adiadas.
- Radiador do AMS — parcial: Meir preparou o local para uma substituição futura, mas os pinos-guia restantes não foram instalados.
Essa divisão evita tratar a caminhada como inteiramente concluída ou como uma missão interrompida. Os principais equipamentos previstos para substituição voltaram a ter unidades funcionais, enquanto o trabalho incompleto ficou concentrado na infraestrutura elétrica e na preparação de uma intervenção posterior no AMS.
Retrorefletor, câmera e coleta foram concluídos
As astronautas seguiram para áreas diferentes após deixar a Quest. Adenot foi até a porta frontal do Harmony e substituiu o retrorefletor, usado por veículos visitantes como auxílio de navegação durante aproximações e acoplagens. Meir viajou no braço robótico Canadarm2 até a câmera avariada e instalou a unidade reserva.
Depois, Adenot retornou à região da câmara de descompressão para buscar o kit do experimento MicroOrganisms. A coleta procura verificar se microrganismos são liberados pelas saídas do sistema de suporte à vida da estação e até onde conseguem se deslocar no ambiente externo.
A cronologia da ESA registra o início da EVA às 14h41 e o encerramento às 21h29 no horário de verão da Europa Central. A agência também identifica a atividade como a terceira caminhada espacial de Adenot e a 33ª realizada por um astronauta europeu; após três saídas em 15 dias, ela somava 19 horas e 42 minutos fora da estação.
Os três trabalhos concluídos tinham funções diferentes. O retrorefletor atende à navegação de veículos que se aproximam da ISS, a câmera devolve um ponto de observação externo e as amostras seguem para uma investigação científica. A mesma saída, portanto, combinou manutenção, apoio às operações de voo e coleta de material.
Cabos e preparação do radiador ficaram parciais

Os adiamentos não tiveram uma única causa. A tripulação já estava atrás do cronograma quando o Controle da Missão transferiu os jumpers restantes e outras atividades não críticas para uma data posterior. Separadamente, os controladores decidiram deixar para outra caminhada a instalação dos pinos-guia que serão usados na troca do radiador do AMS, para que engenheiros preparem um plano de conclusão.
O AMS é um detector de partículas cósmicas instalado no exterior da estação, e seu radiador rejeita o calor produzido pelo sistema. A EVA-99 não realizou a troca desse componente: apenas iniciou a preparação do local onde o radiador substituto será instalado em uma intervenção futura.
A reconstituição do Space.com registra que Meir apertou 46 parafusos na área do AMS e também reposicionou jumpers de energia e controle térmico, além de um apoio portátil para os pés. Esses avanços prepararam o instrumento e os equipamentos para novas atividades, mas não eliminaram a necessidade de outra saída.
O problema no traje surgiu mais tarde e não explica sozinho todas as pendências. O atraso operacional já havia levado ao adiamento de parte da agenda; a limitação do braço de Adenot acrescentou uma questão de segurança durante a etapa final e tornou o retorno à Quest mais cauteloso.
O chicote da luva restringiu o ombro de Adenot

Adenot percebeu dificuldade para movimentar o braço esquerdo perto do fim da caminhada. O Controle da Missão pediu que ela permanecesse onde estava até que Meir pudesse alcançá-la e acompanhá-la de volta à câmara de descompressão.
Já nas proximidades da Quest, Meir abriu parcialmente a região superior do braço do traje para inspecionar a articulação. A avaliação feita em órbita foi que o chicote elétrico do aquecedor da luva provavelmente havia ficado preso entre o isolamento multicamadas do ombro e a junta de rotação, gerando atrito. A abertura da região pareceu desfazer a dobra e devolver mobilidade suficiente para a entrada das duas astronautas.
A palavra “provavelmente” delimita o que foi estabelecido: essa foi a explicação inicial durante a EVA, não uma conclusão de uma análise técnica posterior. As páginas pós-missão consultadas não apresentam um resultado definitivo de inspeção do traje.
A US EVA-99 terminou com Meir e Adenot em segurança. Foi a sétima caminhada espacial de Meir, a terceira de Adenot e a 284ª dedicada à montagem, manutenção e modernização da ISS. O fechamento operacional da missão ainda depende do plano para instalar os pinos-guia do radiador, concluir os jumpers restantes e verificar a causa da restrição no traje; até a atualização dos relatos consultados, não havia data divulgada para esse trabalho.
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